o idiota de serviço do mês de Julho

 

Tenho sempre alguma dificuldade em explicar às pessoas que entregaram o cuidado das suas educações e cultura à televisão o que é “a droga”. Estas abençoadas criaturas não percebem que existe uma gradação de cinzento ao longo do espectro “droga” que faz com que alguns dos conhecidos delas possam ser consumidores de cannabis ou coca fim-de-semanal sem que eles nunca se apercebam. Para eles, “droga” é uma entrada no dicionário ilustrado com a imagem de um agarrado na amanha de carros. Não existe intermédio, charros, cogumelos, ácidos, drunfos, speeds e coca, etc. Só existe heroína e metadona, que deve ser uma heroína mais fraquinha que lá lhes dão para impedi-los de nos arrancarem os olhos no paroxismo da ressaca.

A mesma coisa se deve passar com este senhor, que adivinhou precocemente que o atirador do Colorado devia ser autista. Há gente que devia ir à feira do gado comprar um cérebro tão cedo quanto possível.

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o autismo é a cor deste Verão.

 

Estamos na moda. Inequivocamente. Passamos de ser um assunto pouco sexy para as televisões generalistas para um fenómeno gerador de crescente interesse e popularidade. O Autismo é a cor deste Verão.

Como é óbvio, isto são coisas que têm a duração e consistência de uma onda. É aproveitar a boleia e curtir, tanto quanto possível, o pico da onda antes da rebentação. Quando os media se fartarem (porque a cultura democrático-pop exige novidade e mudança, e exige-o rapidamente) voltamos a ser as criaturas que éramos antes, se não tivermos conseguido passar uma mensagem pela qual a amplificação mediática possa ter ajudado a produzir modificações duradouras na sociedade.

Do que tenho visto, há coisas boas a salientar. Algumas associações têm promovido os seus métodos sem perderem o foco que é a descrição do problema, a etiologia do espectro do autismo que, por muito que se fale nela, fica sempre aquém nos programas cujo ADN implica uma fulanização do entrevistado com vista a promover uma empatia rápida e fácil. Lamento que outras participações televisas se tenham deixado levar pelo engodo do relato biográfico, visto que este reduz o problema ao sujeito e impede que as pessoas leigas na matéria se interessem mais pelo autismo, pois o que fica saliente e é posto sob o foco do interesse é a vida de uma pessoa com um problema que calha a ser o autismo mas que, bem vistas as coisas podia ser outro qualquer. É importante despersonalizar as entrevistas, generalizar o complexo de sofrimento e de dificuldades acrescidas e salientar o facto de haver mais pessoas nesta situação – e cada vez mais pessoas, porque o aparecimento de novos casos de PEAs tem vindo a sofrer um crescimento de tipo exponencial – e de sermos, no fundo, um grupo cujas dificuldades muito próprias exigem uma compreensão social e uma resposta adequada por parte de Estado, sociedade civil e instituições.

As modas passam, nós ficamos e temos de gerir o que conseguimos criar no pico da onda.

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o paranóico

 

Sou amigo de muitos pais de crianças autistas no Facebook. Amigo virtual, entenda-se. Nesta nova modalidade de estar acompanhado na vida, as pessoas vão substituindo a voz pelo teclado e as expressões faciais pelos emoticons. A coisa resulta, porque somos tremendamente adaptáveis.

Tenho visto que muitos dos meus amigos, recentes e mais antigos, publicam quantidades enormes de fotografias dos seus filhos, para gáudio de quem gosta de ver crianças felizes, especialmente crianças a quem, muitas vezes, não se pode dar mais do que as condições para a felicidade, porque tudo o resto (educação, escolaridade, etc) está severamente condicionado pelo autismo. É bom ver que a felicidade é transversal à escala de competências.

Preocupa-me uma coisa, no entanto, e isso prende-se porventura com o meu lado mais desconfiado: a exposição das crianças nas redes sociais onde, virtualmente, qualquer um pode assumir qualquer identidade. No Facebook pode se ser várias personas, todas elas suportadas por colecções de fotos alheias pelas quais se atestam as identidades fictícias. Por isso preocupo-me com a história das fotos, com a possibilidade de elas poderem servir de mapa ou pista para alguém que me queira atingir ou magoar o meu filho. Como o Gui não fala, não saberia relatar uma experiência de rapto ou violência. E obviamente, mesmo sabendo de antemão que não sou ninguém para alguém se preocupar comigo, e que sou menos que ninguém para qualquer inimigo que possa ter, não quero facilitar, pelo que não ponho fotos dele em parte alguma. Fico mais descansado se as pessoas só tiverem acesso às minhas fotografias e à minha cronologia de actos disparatados. E fico preocupado por haver nesse facebook fora tantas crianças demasiado identificadas porventura à mercê de quem queira, estudando fotos, contextos e localidades (só os pensamentos são privados e nem isso se garante eterno) fazer mal a alguém. Porque os nossos são os indefesos dos indefesos.

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ou andei distraído, ou estamos num ponto de ebulição

No que concerne as investigações que versam o autismo. Veja-se este artigo, que parte de uma doença conhecida cujos sintomas, no final se assemelham aos do autismo, para uma “cura” (sim, tem de ser grafar certas palavras entre aspas) através de uma molécula relativamente simples.

É incrível a quantidade de coisas que estão a acontecer. Quase dá vontade de ter esperança. Keep calm and hope for the cure.

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estado da arte

Estas duas hiperligações ajudam a perceber onde nos encontrámos relativamente a comprimidos maravilhosos para tratar (algumas formas de) autismo.

Artigo completo e blog do investigador principal.

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aos poucos

Vamos fazendo o mapa. Esta proteína é importante no esquema geral das coisas. A ler, apenas uma entrada de wikipedia, e a relacionar com os possíveis artigos que ainda não tive oportunidade de ler.

isto pode ser das notícias mais importantes dos últimos tempos

Conferir aqui, basicamente é um comprimido que pode reverter o autismo. Assim, sem mais. É ler para crer. Obviamente ainda só recuperou ratos e os ensaios clínicos vão demorar algum tempo, mas eu vou criar um alerta Google para saber todas as notícias que saem sobre isto. Pode ser a descoberta do século (para autistas e os seus familiares, obviamente).

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