Se o autismo fosse passível de ser detectado intrauterinamente, em idade adequada para a gravidez ser interrompida, o que fariam

claro que é uma pergunta provocatória, mas tendo em conta que pode ser descoberto, antes da cura, um método para detectá-lo antecipadamente, o que pensar disso?

Publicado em autismo, saúde. 19 Comments »

19 Respostas to “Se o autismo fosse passível de ser detectado intrauterinamente, em idade adequada para a gravidez ser interrompida, o que fariam”

  1. Daniela Santos Says:

    olá Pai.
    Sem grandes paleios (porque quem passa a noite acordada a tentar que o filho não bata com a cabeça na parede enquanto grita e esperneia às 3.30h da manhã não tem grande capacidade de paleio!)… e correndo o risco de chocar tanta gente “grata” por ter um filho diferente, eu abortava. Desculpem a franqueza… neste momento e apesar de amar o meu filho, sabendo o que iria passar, eu não quereria continuar. Da mesma maneira que me recuso a ter outro filho (pelo menos para já e nos próximos 6 ou 7 anos)… Sim, porque eu já ouvi a pérola “devia arranjar um mano ao Diogo, já merecia um bocadinho de normalidade…”
    grunf…

    Beijinhos. Coiso. tal.

    • Pai Says:

      começámos com sangue. louvo-lhe a frontalidade. eu ainda estou a digerir a pergunta e a resposta. mas hei-de voltar a elas. afinal, o teste, para mim, não é facultativo.

  2. rosario filgueira Says:

    A resposta é bem fácil tome como exemplo trisoma 21

    • Pai Says:

      mas era precisamente esse paralelo que pretendia traçar, com a ressalva de o autismo ser mais gradado em amplitude e profundidade que a T21.

  3. ccf Says:

    Não sei se as mães que não têm filhos autistas como é o meu caso (uma intrusa que anda por aqui) podem responder…por certo que a validade não é a mesma, compreendo isso. Na minha opinião a resposta deve assentar na liberdade individual da mãe/pai e jamais numa decisão do Estado com base exclusivamente em critérios médicos, é extremamente perigosa qualquer opção que passe por eliminar da sociedade aqueles que são diferentes – mais diferentes. E são de respeitar nesta matéria decisões diversas- as que são “não, não teria” e as que são “sim, eu teria na mesma”. Penso, no entanto, que seria bom que essa opção pudesse exisitir, isto porque nem todos nos sentimos preparados para aguentar o intenso e esgotante trabalho que esta relação com o autismo exige. Talvez a relação com outros diferentes nos torne melhores…mas nem sobre isso tenho certeza. Se eu tivesse que tomar uma decisão deste tipo, colocava em cima da mesa muitas e muitas coisas, a primeira delas a intensidade do meu desejo de ser mãe, de cuidar, de amar…mas também a relação com o pai da criança, a minha capacidade para lhe prestar os cuidados necessários, a zona de residência, etc, etc…enfim, desculpe se não consigo dizer SIM ou NÂO.
    Beijinho e continue sempre a incomodar-nos.

    PS. É às 17h na Quarta? Gostaria de tentar ir, se não conseguir, prometo pelo menos comprar o livro.

  4. M. Says:

    Sem hesitar, seguiria em frente.
    A minha gravidez tinha tudo para correr mal – e foi um pesadelo terrível, muitas e muitas vezes – e chegou ao fim, com duas vitórias: as minhas filhas. Com ou sem autismo, serão sempre as minhas meninas.
    Bem sei que a situação delas não se compara à de outros meninos mas não conseguiria viver comigo mesma – nem com filhos futuros – pensando nos “ses”…

  5. Mina Says:

    Dificíl resposta! Mais difícil decisão!
    Olhando para meu filho,
    Mesmo com agravante de saber que futuro dele passará por uma instituição que não tem autonomia (orientadora) para subsistir sózinho , sendo o ser humano mais puro que alguma vez conheci ,e, é um ser humano feliz, basta não conseguir “ler” todos os “podres” que assolam os humanos.
    Mas não sei ! Concretamente em relação à questão!o que faria!
    O certo é que arrisquei uma outra gravidez 8 anos mais tarde depois de muito pensar, repensar, será talvez a resposta.

    Possívelmente virá a detetar-se via uterina, mais cedo que a cura para o mesmo estive a semana passada no congresso sobre a SA e aparentemente os estudos apontam nesse sentido, ou não se alvitraria que cerca 50% nascem autistas, e para isso contribuiem além da genetica alguns factores risco na gestante medicação e drogas rsss claro que a medicação é uma droga a idade da gestante e do respectivo par etc
    Não sei se alguma vez se desmontará este puzzle, são demasiados genes e implicados …
    bjinhos

  6. Pai Says:

    Eu não quero dar uma resposta definitiva e vou provavelmente seguir as duas hipóteses até as esgotar, afectiva e conceptualmente, que é o que se faz quando não se tem a coragem da Daniela e as certezas da M.

  7. Angela Says:

    olá Pai, já pensei várias vezes nisso e sei perfeitamente o que faria.
    A experiência com o meu filho é rica, fez de mim uma pessoa melhor. Tento dota-lo de todas as “ferramentas” para que a sua vida decorra dentro de uma certa “normalidade”. Antes do Francisco eu achava que não tinha “estofo” para tal tarefa. Ás vezes ainda tenho dúvidas. Logo a minha opção seria abortar.
    Angela

    • Pai Says:

      Engraçado que toda a sua resposta, até ao “logo, a minha opção seria abortar” parece que vai no sentido oposto à conclusão. Ou será que só eu percebi isso assim?

      • Angela Says:

        Parece não é Pai?? Não me sei expressar muito bem escrevendo.
        Mas a opção seria mesmo a da conclusão.

  8. ISABEL SANTOS Says:

    Bem sou apenas avó e não posso dar uma opinião correcta,mas dou o meu único aborto como exemplo…o meu filho tinha 12 anos quando fiquei novamente grávida,já sofria de hipertiroidismo há 11 anos e tomava montes de drogas,portanto a endócrinologista era de opinião de um aborto,a criança poderia não ser normal…Estou a falar do ano 1987…o Hospital achou por bem seguir na consulta de gravidez de risco,iria fazer exames que não davam certeza nenhuma e teria que sentir um ser dentro de mim que de repente o médico diria “Vamos tirar”.
    Não mesmo pondo em risco a minha vida por causa da anestesia e da complicação com os medicamentos que tomava a minha Drª lá me indicou um caminho proibido e foi assim que tudo acabou a 29/0/7/1987.
    Foi e é marcante,ainda hoje ,mas foi a minha opção…já nessa altura eu lidava com a deficiência profunda há 14 anos,
    Penso que respondi´`a sua pergunta……….

  9. Rainbow Mum Says:

    Ui… Trata-se de uma pergunta tao complexa que confesso que não consigo responder com certezas absolutas… Bem, em primeiro lugar acho que importa fazer uma ressalva – não existe autismo mas sim autismos. Ou seja estamos perante um espectro com desordens muito distintas entre si. E a mesma coisa que dizer que todos os que não veem bem sao cegos… E isso não e verdade. A diferenca entre um cego e um miope pode ser comparavel a entre alguem que esteja no espectro do autismo e tenha de facto uma deficiencia por vezes profunda a outros que apesar de terem algumas particularidades que os tornam diferentes, não sao de todo deficientes e muitas vezes, pelo contrario distinguem-se em algumas areas profissionais. Uma vez disse que o autismo para mim e como o sal, um pouco pode fazer toda a diferenca num prato sem sabor, muito vai estragar o sabor do prato… Aqui coloca-se a grande questao. Ao contrario da T21 e de outras perturbacoes que tem uma alteracao genetica identificada num unico gene, no caso do autismo isso não acontece. E mesmo que identificassem um gene comum a todo o espectro ninguem conseguiria dizer se a crianca que carregaria no utero seria alguem que nasceria com uma deficiencia profunda, que iria andar de fraldas aos 20 anos e que provocaria agressoes atrozes a si proprio e aos outros ou se pelo contrario iria dar a luz ao proximo Einstein que iria revolucionar o curso da humanidade. Atencao, não digo que a segunda vida teria mais valor que a primeira nem estou a defender a Eugenia, que fique bem claro… Apenas estou a salientar que e impossivel saber, mesmo sabendo que e autista, como sera essa crianca e como sera o seu futuro.

    Quando soube do diagnostico do meu filho, uma amiga falou-me do caso de uma amiga dela que tinha um filho autista que com 20 anos usava fraldas, mordia-se, escondia-se debaixo da mesa, e bebia agua das sanitas (vim a saber mais tarde que se tratava de Transtorno Desintegrativo da Infancia, o mais raro e grave do espectro), contaram-me o caso da Ana Martins, do livro “Autista, quem eu?” que teve que internar o filho que tornou-se violento, outro amigo falou-me do filho da empregada que tambem adolescente agredia-se e agredia a mae…Esta foi a primeira imagem que tive do Autismo e que projectei no meu filho. Via pela frente um cenario de horror, com ele a auto-agredir-se, a agredir-me a mim, a usar fraldas com 20 anos, a não poder nunca ir com ele a nenhum local publico, a nunca ouvi-lo dizer Mae… Sinceramente imaginava que teria que o sedar para não se agredir e aos outros e que acabaria numa institucao longe de mim… Nessa altura, confesso que desejei que morresse. Horrivel, não e? Nunca imaginaria que fosse capaz de tal sentimento mas dizia que para o meu filho sofrer dessa maneira seria melhor que desaparecesse, a vida dele não fazia qualquer sentido… Cheguei inclusive a dizer que se ele não existisse eu poderia ser uma pessoa feliz, mas com ele nesta situacao nunca mais teria um momento de felicidade na vida…

    Felizmente, o caso do meu filho não e um caso dito grave dentro do espectro. Tambem não me parece que va ser o proximo Einstein e provavelmente, como disse a Mina, podera no futuro não conseguir ser independente… O que obviamente me angustia. Mas todos os dias dou gracas a Deus por tudo o que ele evoluiu nos ultimos 2 anos e por hoje com 4 falarem que possivelmente estamos perante um caso de sindrome de Asperger, que era tudo o que desejava quando ele foi diagnosticado com autismo aos 2. Nessa altura dizia que não queria mais do que isso. Aquilo que para uns pais e uma tragedia para mim era o que almejava para o seu futuro. Curioso não e? Claro que agora queria mesmo era que saisse do Espectro🙂 Mas se por vezes dou por mim a pensar que merda e ter um filho com uma PEA outras vezes penso como tenho sorte por ele falar, conseguir cada vez mais fazer coisas que os outros fazem, dizer-me como me disse no outro dia e nunca esperei ouvir “gosto de ti. Es o meu amor”, ter largado a fralda de dia e de noite aos 3 anos, conseguir ir com ele a qualquer local publico e pasme-se no outro dia ter assistido a uma peca infantil do princípio ao fim, fazer perguntas inacreditaveis como “os anjos sao mamiferos ou aves?”, ser a coisa mais doce e deliciosa que se possa imaginar, dormir a noite toda tranquilamente, não se auto-agredir, escrever o nome dele, já ler algumas palavras, saber o nome e especie de todos os animais do mundo… Muito diferente do cenario que imaginava quando ele tinha 2 anos, não apontava, batia com a cabeca no chao quando estava frustado, não dizia uma unica palavra e andava em circulos a guinchar pela casa… Apesar de tudo considero-me sim uma sortuda. Mesmo sabendo que temos ainda muitos desafios pela frente e que podera nunca vir a atingir a tal funcionalidade necessaria para uma vida independente.

    Agora, e voltando ao tema, se me perguntasse se abortaria num caso em que soubesse que iria ter um filho com uma PEA gravissima como o cenario que lhe falei acima, não hesitaria em dizer que sim. Como o faria no caso de uma qualquer outra deficiencia profunda em que teria um filho que viveria em sofrimento constante. Num cenario como o do meu filho, respoderia que não. Consigo viver com a diferenca dele.

    A grande questao, e ai não sei como lhe responder seria no caso em que fosse apenas diagnosticado Autismo. Pura e simplesmente, sem se saber que tipo de desafio teria pela frente. Arriscaria? Não sei… Talvez… Afinal não e isso que fazemos sempre que temos um filho, arriscar? Não sabemos se vai ter paralisia cerebral por o parto correr mal, se vai ter uma leucemia ou tumor cerebral aos 7 anos, se vai ser diagnosticado com esquizofrenia aos 16 ou com esclerose multipla aos 20, ou se vai drogar-se com 22… Todos estes casos aconteceram a pessoas que me sao proximas.

    No outro dia contava-me uma amiga que tinha um colega no curso de direito na catolica com autismo. Perguntei-lhe se era autista ou asperger. Ela disse que achava que era mesmo autista, tinha que ficar sempre no mesmo lugar e quando alguem se sentava na sala no seu lugar ficava nervoso a andar para tras e para a frente… Não conseguia olhar ninguem nos olhos, não fazia amigos, tinha estereotipias… Disse-me que melhorou imenso durante o curso e no final ficou na Catolica a dar aulas! Quantos, sem qualquer problema nunca conseguem sequer arranjar emprego ou vir a ser independentes dos pais? Como podemos a partida definir que por alguem ser portador de uma desordem esta condenado a uma vida fracassada? Conheco ainda um arquitecto fantastico que sempre esteve numa cadeira de rodas, tem cerca de 50 cm de altura e imensos problemas fisicos… Conheci-o imagine, na Kapital nos meus tempos de juventude onde ele todos os fds saia com os amigos e divertia-se. Recentemente encontrei-o e vive sozinho, trabalha e pareceu-me apesar de todas as dificuldades alguem que esta de bem com a vida. Deveria a sua mae ter abortado?

    Desculpe, sei que me alonguei mas não consegui dizer-lhe o que me vai na alma sobre um assunto sobre o qual já pensei tantas vezes, em poucas linhas. A verdade e que neste momento enfrento o dilema se deverei ou não dar um irmao ao meu piolho e não sei se deva arriscar…

    Já agora, qual a sua posicao em relacao a sua pergunta?

    Beijinhos

    P.S. Infelizmente acho que não vou mesmo conseguir aparecer amanha… Mas queria perguntar como posso comprar o livro. Que corra tudo bem e muito sucesso!

  10. sofia Says:

    olá “Pai”.

    Hoje que já vivo com o autismo sei o quanto desejava que ele não o fosse. que ele só fosse um miúdo normal, com as mesmas oportunidades, sem ter de se sujeitar a exames e avaliações, terapias e especialistas.
    Mas antes de viver nesta m**** de mundo do autismo, não sei se conseguiria interromper a gravidez.
    Hoje SEI que se por acaso tivesse outro filho, e se houvesse deteção intrauterina…. interrompia.

    Não quero saber de mim. Ele sim, ele não merece, e ainda só tem 2 anos de vida, e já olham de lado para ele.

    beijo amigo
    Sofia

    • Rainbow Mum Says:

      Sofia, por vezes nos temos a tendencia de ver as coisas pelo lado mais negro quando nos acabam de atingir. Tambem achava que toda a gente reparava nas caracteristicas particulares do meu filho quando tinha 2 anos e hoje acho sinceramente que com essa idade ninguem esta a reparar. Hoje com 4 já ha coisas que sao de facto mais evidentes pois nesta idade já se espera deles outro tipo de comportamento e outro nivel de conversacao que ele não tem. Mas continuo a achar que ainda e cedo para tracar cenarios negros para o seu futuro. Tem tanto ainda para crescer e evoluir! E quando os outros olharem de lado, nos so temos que ignorar e estar ao lado deles para os proteger deste mundo que por vezes não os compreende. E para isso que nos maes servimos🙂 beijos

  11. Rainbow Mum Says:

    Pai, como é que foi ontem? Queremos saber!!!!!! Beijinhos

  12. Gloria Lourenço Ribeiro Says:

    Como só hoje tive acesso ao blog,vou então tentar responder a esta pergunta tão dificil….Pai, depois de meu filho nascer e depois de perceber que não era o bebé perfeito que todos idializamos, o choque foi terrivel,mas nada comparado aos dias ,noites, semanas e meses de desepero sem dormir,ou conseguir estar em casa de alguèm…
    Mas sinceramente, acho que só posso responder não, se calhar é porque já passaram 22 anos mas mesmo assim não não conseguiria fazer isso.
    Tal como a Mina Viana 8 anos depois foi-me colocada na vida uma menina , que embora não planeada foi muito muito desejada, e apesar do medo, nem por um minuto pensei em não levar a gravidez avante..beijinhos

  13. Sofá Says:

    Acho que nem há duvida, interrupção da gravidez!
    Pode haver alguns momentos menos maus, mais o somatório é sempre , amplamente e definitivamente negativo.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: