o rapazote caiu ontem, numa rampa, e ficou com a beiçola bastante empolada

 

Uma das coisas que, regra geral, é mais simpática no meu filho do que nas crianças normais é o facto de ele ser muito cuidadoso a mover-se, isto desde sempre, porque, ora por desconfiança das suas capacidades de domar o mundo, ora por falta de tónus e elasticidade musculares, ele nunca teve a destreza ou a velocidade dos miúdos da idade dela, apesar de estamos sempre a tentar que ele se solte um pouco mais, incentivando-a o a descer as escadas sem recurso ao corrimão ou a dar sozinho o pequeno salto que separa o carro do chão.

Quando ele anda num parque infantil, tenho algum à-vontade em deixá-lo percorrer os diversos aparelhos, mesmo que alguns pareçam, ao início, assustadores, pois sei que o meu mais-que-tudo é cautela e caldos de galinha em tudo quanto faz.

Ontem, o piolho, a subir uma rampa de madeira repleta de gravilha, deu com as trombas no chão antes que eu pudesse louvar-lhe a forma elegante e cuidadosa de enfrentar os pequenos percalços da vida.

Perdeu um dente de leite (já estava a abanar) ficou com o lábio inferior três vezes maior e muito menos sexy e fez uma escoriação ligeira no queixo. Acontece a todos, dizem-me. Pois é, mas eu não estava acostumado. Como diria Freud, numa declinação possível, às vezes uma criança no parque é somente uma criança no parque. Até se aleijam.

Levou muitos mimos, o meu Gui e a recomendação de pôr gelo no sítio afectado que eu a custo consegui cumprir durante meia hora.

Publicado em blog, saúde. 12 Comments »

12 Respostas to “o rapazote caiu ontem, numa rampa, e ficou com a beiçola bastante empolada”

  1. M. Says:

    Não é mau🙂 eu até acho que soa a normalidade🙂 eu também não sabia o que era uma choraminguice por joelhos esfolados até as piolhas começarem a imitar os colegas (mas imitam muito mal, diga-se d epassagem. Nem sequer me deixar dar beijinhos a ver se passa mais rápido…). Caíam, esfolavam-se, sacudiam e iam à vida delas. São trôpegas e trambolhas, muito clumsy, mesmo. Nada como o Gui, cuidadoso com os seus passos. Mas cair e esfolar-se parece-me uma coisa banal. E eu até dou valor às coisas banais na vida de meninos autistas…
    O pôr gelo é que, acredito, que tenha sido o mais hercúleo. Parabéns. Eu desisti do gelo há muito. É pior que dar banho a gatos selvagens. Optei por mel (se estiver em casa) ou pomada arnica (não se pode aplicar nas mucosas; nestes casos, opto por muita água fria).
    Espero que o vestígio da queda desapareça rápido e o Gui volte ao local sem medos.

    Força aí. beijinhos

    • Pai Says:

      Sim, pôr gelo é o mesmo que esfolar um gato. Ele não percebe e não gosta e quanto mais ele evita mais me irrito🙂 enfim, acabamos suados e abraçados como se tivéssemos andado à batatada.

      Já está quase fino, o rapaz, eles nestas alturas regeneram muito rapidamente.

      Beijinhos!

  2. Mina Says:

    Li no comentário anterior o Gui já deu chuto na bola, já escorrega e caie. São progressos.
    Para o Bruno as bolas( deviam ter fogo), queria livra-se delas o medo que ele tinha que bola o aleija se!
    Nos medos podem ser de extremos, não tem a noção do perigo. De pequenas coisas terem medo como por exemplo cair, e podem atravessar uma estrada sem olhar, ou olhar quinhentas vezes e passarem na pior altura.
    Espero que o Gui já esteja restablecido,, e não fique com medo, o que seria também uma situação normal…
    bjinhos

    • Pai Says:

      Já está quase bem. Mas fiquei muito alegre por ele dar uns chutos na bola. O Bruno já vai alto e espadaudo, não? Beijinhos a ambos.

  3. Alexandre Says:

    A minha filha sempre foi muito desajeitada em todas as actividades físicas e quando era mais pequena parecia que ia cair a toda a hora e quando isso acontecia agia como se nada fosse e ainda agora com três anos parece ser insensível à dor.

    No entanto, gosta muito de jogar à bola e de ir nadar na piscina, mas continua a ser muito trapalhona.

    Muitas vezes, o gelo é o melhor remédio, mas nunca o consigo aplicar por mais de 5 segundos e com imensa luta.

    Felizmente já posso ir a um parque infantil e ela já se aguenta sem cair e já começa a brincar como uma criança “normal”.
    Claro que as diferenças são abismais, mas são estes pequenos avanços que me fazem acreditar que o futuro pode não ser assim tão negro.

    • Pai Says:

      Gelo é muito bom, mas ele não percebe e não gosta e faz um verdadeiro carnaval que só finda quando a gente afasta o gelo da cara do catraio.

      Também tem blog, Alexandre?

      Bem-vindo. Os homens por aqui são escassos😉

      • Alexandre Says:

        Viva.

        Já algum tempo que sigo alguns blogs sobre este assunto, mas nunca pensei em fazer um para mim.

        Hà minha volta, só existem pessoas com crianças com um desenvolvimento normal e estes espaços fazem-me sentir que não estou só nesta luta contra o autismo.

        Aqui as pessoas falam a mesma linguagem e percebem as dificuldades de criar uma criança com esta doença.

        É verdade que não existem muitos homens por estes sítios, o que não quer dizer que não se importem e não sofram com os problemas dos seus filhos.
        Talvez as mulheres tenham mais facilidade em falar dos seus sentimentos .

      • Pai Says:

        De facto, mas a verdade é que também andamos por cá (homens), felizmente para os nossos filhos. Não está sozinho. Abraço.

  4. Rainbow Mum Says:

    No caso do meu, ao contrário do Gui, nunca foi nada cuidadoso…Daí que nódoas negras, cabeças partidas, joelhos esfolados sejam o pão nosso de cada dia🙂 E a combinação da energia de um furacão com o facto de ser completamente despistado e destrambelhado, fazem com que passemos a vida nisso… Volta e meia lá se espeta e vem ele: “Mamã, dói muito…queo beijinho dói-dói e penxinho”. Miminhos e betadine e lá está pronto para a próxima🙂

    Nunca me vou esquecer da vez em que numas escadas rolantes se vira de repente e larga-me a mão, para apanhar um carrinho que caiu, e fez dois lenhos na testa nas escadas de metal… Teve mesmo que levar pontos e jorrava sangue por todos os lados. Eu quase que desmaiei, ele feliz da vida perguntava se ia na ambulância para o hospital. Enfim🙂

    • Pai Says:

      hahahahahahaah, estou a ver a cena toda e não consigo conter-me a rir, especialmente pela deliciosa expressão “lenhos na testa” :):):) como o meu não fala e eu sou pouco dado a desmaios, acho que andava a Xanax o resto do mês.

      Beijinhos.

      • Rainbow Mum Says:

        O que me vale é que o meu pai é médico (da tropa ainda por cima e habituado a cenários de guerra🙂 e coseu-lhe logo a cabeça, com 3 pontinhos em cada lenho. Ficou impecável e nem se nota.

        Lá em casa tanto eu como o meu marido eramos meio esgroviados em miúdos e que partimos tanta coisa que já nem ligamos…Cabeças, pernas, dedos… ui…O irmão do meu marido nem se fala…Com 5 anos trepava o muro do jardim infantil e fugia… Com 6 anos partiu um braço e o irmão foi dar com ele a andar de bicicleta de braço ao peito a descer uma ladeira e zás…parte uma perna em seguida… A minha sogra diz que passava a vida no hospital.

        Como quem sai aos seus não degenera passamos a vida a perseguir o petiz pois se nos descuidamos um segundo vou apanhá-lo a trepar um móvel ou uma árvore, a saltar de um sítio alto, a correr uma ribanceira abaixo a alta velocidade (a pé ou de bicicleta), a saltar para um lago… Acho que a noção de perigo não é o seu forte🙂 Para ver, tinha ele 18 meses e fomos de férias com uns amigos com uma filha da idade dele que lhe deram a alcunha de “Rambo”, pois com essa idade já tentava saltar de todo o lado e trepar tudo…

  5. Mina Says:

    🙂 O Bruno já é um homem em idade ( quase 27) e fisicamente altinho , poderia dizer que mentalmente também desenvolveu.
    Mas!!! este mas! É que o encrava, por muito que saiba, não sabe aplicar esses conhecimentos que são: nem consigo explicar muito abragentes mas ao mesmo tempo soltos, pequenas peças de puzzle que não encaixam umas nas outras.
    Fundamentalmente e resumindo vai ser sempre depedente.
    E chutos na bola, ainda não é a praia dele:-)
    Bjinhos


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