ele mete as mãos na boca, apanha coisinhas e come-as

 

É um comportamento que não consigo suportar em presença e que me faz comichão saber que se amplifica na minha ausência. O Gui já tem calos nos dedos, na parte de dentro, de passar tanto tempo com eles na boca a roê-los, numa estimulação primária compreensível à luz do seu desenvolvimento condicionado. Se na Escola houvesse um monitor para cada criança, provavelmente isto acontecia com menos frequência. Ainda ontem fui buscá-lo e, mesmo em casa, enquanto eu lhe fazia o jantar, ele aproveitava para catar o que quer que esteja em cima do sofá, com a pinça dos dedos, para comer, e quando não o fazia estava com o dedo do meio na boca, a fazer de chucha.  É duplamente complicado: por um lado não quero (mesmo que pouco consiga fazer para evitá-lo) que quando ele esteja comigo eu passe o tempo a repreendê-lo. Por outra parte, aflige-me saber o que ele mete na boca quando não estamos perto, que pode ir desde o giz até ao vidro. Isto para uma criança não-verbal, pode ser um problema a crescer em surdina.

 

Alguém tem dicas para este tipo de comportamento? Algum dos filhos das pessoas que por cá passam têm ou tiveram pica, ou desordens semelhantes? Ando à procura de estratégias. Obrigado.

Publicado em blog, saúde. 11 Comments »

11 Respostas to “ele mete as mãos na boca, apanha coisinhas e come-as”

  1. Rainbow Mum Says:

    É complicado mesmo… O meu ainda mete muito coisas na boca mas já entende que há coisas que não pode por. No entanto no outro dia apanhei-o a comer formigas🙂

    Faço parte de um grupo no Facebook de pais com crianças com PEA que se chama Amantes de Saturno. Sugeria que aí perguntasse aos pais que passam pela mesma situação o que fazer. Já o fiz no passado e é uma excelente ajuda.

    Beijinho

  2. atena Says:

    Olá pai, partilho da opinião/sugestão, da Rainbow mum – Amantes de saturno no facebook, é um grupo de partilha onde se trocam experiencias que podem ajudar. Pessoalmente, conheço um ou outro caso, onde é dado sempre um brinquedo, ou objecto de borracha à criança, que assim tem as mãos ocupadas e tem sempre hipotese de “mordiscar” algo que seja mais adequado e isento de perigo. A ideia não é travar esse comportamento, mas sim dar-lhe uma alternativa mais segura. Abraço

    • Pai Says:

      Obrigado. Ele até gosta de andar com coisitas nas mãos, talvez em vez de um carro lhe arranjemos qualquer coisa de uma borracha do tipo da dos brinquedos de bebé com a qual ele se possa entreter. É uma boa ideia. Especialmente porque eu penso sempre em “travar” o comportamento quando se calhar será mais benéfico adequá-lo. Beijinhos.

  3. M. Says:

    Tal como já sugeriu a Atena, que tal aquelas coisinhas que os bebés usam para mordiscar quando surgem os dentes? Podem ter várias texturas, formas e ainda tem a hipótese de poder dar-lhas quentes, frias ou mornas… Se resultar e atenuar a ida das mãos (ou outras coisas) à boca, avise na escola que esse objeto passará a fazer parte do quotidiano do Gui.
    Se esse comportamento se intensifica muito perto da hora das refeições, poderá sempre também adequar algumas delas para que se possam comer com as mãos…

    Espero ter ajudado, beijinhos. E força.

    • Pai Says:

      Comer com as mãos, não, esse é um comportamento que queremos ao máximo evitar, por dois motivos: primeiro porque achamos que ele deve adquirir competências básicas de socialização; depois porque comer com as mãos reforça a sua tendência natural em apanhar tudo o que seja pequeno e parecido com migalhas para pôr na boca.

      de resto, parece-me uma excelente ideia.

      Beijinhos.

      • M. Says:

        Tem razão… Ele pode mesmo associar as coisas e piorar. Às vezes, nem penso muito na relação que esse tipo de comportamentos pode ter. Má ideia a minha, sorry…
        O Gui ajeita-se com os talheres? As minhas são um caos. Bem sei que ainda só têm 4 anos mas ainda se contam pelos dedos as refeições que fazem inteiramente sozinhas, sem ajuda de um adulto. E comem muito com as mãos. Mas só isso, não fazem o que o Gui faz. Lá vem uma vez ou outra que vão os dedos à boca mas pode ser uma imitação de mim pois ando a tentar deixar de roer as unhas (até já meti um verniz de gel todo giro😛 )
        Tirando os tais brinquedos, não me ocorre mais nada… Lamento não poder ajudar mais…

        Um beijinho

      • Pai Says:

        O Gui ajeita-se com talheres, se bem que não me possa distrair ou lá vai ele outra vez com as mãos ao prato e à boca🙂

  4. Mina Says:

    Desculpe, não era nada disto! copiou o post do blog , e perdi o que aqui tinha escrito sorry, vou tentar repetir o mesmo racicionio…
    Senão se importar depois apaga o anterior.
    O que tinha escrito, é que esse comportamento faz parte de alguma descompressão deles e não vejo muitas soluções para além da borracha própria que os bebés usam, ou obejctos de plástico com menos perigosidade.
    O meu roeu durante anos, lápis, canetas, borrachas e as unhas, só consegui solução para os lápis com as cabeçinhas em plástico as canetas não tinham tampas, e as unhas só muito recentemente deixou de roer, no entanto estão como se as roesse, porque a minima pele incomoda-o e corta-as com o corta unhas de uma forma quase inacreditável…
    Uma das estratégias que poderá experimentar, é em fases mais compulsivas desviar-lhe atenção, propondo uma inter-acção que ele goste com as mãos, sei lá!! bater palmas,jogar á sardinha ou simplesmente segurar as mão ligeitamente, tudo tem a sua conta de tentativa erro.
    bjinhos

    • Pai Says:

      Quer que apague o comentário anterior, Mina? É um comportamento (roer coisas, meter coisas da boca) que tem muito a ver com a fase oral dos bebés e do comportamento exploratório típico deles. Parece (no caso do Gui) que é uma coisa que se mantém a despeito das pequenas evoluções dele. O corpo não parece ter adquirido a espacialidade “adulta”, em que se percebe que o distante pode ser convertido em proximidade mediante gestos semióticos (apontar) e memorização de contextos espaciais onde estão as coisas que interessam. Já estou a teorizar sem rede de suporte…. obrigado Mina, beijinhos.

  5. Mina Says:

    Pai, agradecia que apagasse, sim… obrigado
    Pai lamento e já sabe da minha frontalidade à medida que os anos passam as descrepâncias vão sendo maiores, à que aceita-las e saber geri-las da melhor forma.
    Essa fase do roer, pode levar mais tempo, e vir mudar de objectos, mas á sempre uma necessidade de descompressão quer seja através desses hábitos, ou das estereotopias, acho que á uma demasiada carga “electrica” neles. Talvez nalguns casos menos, os que tomam medicação ,não sei se é o caso!!!
    bjinhos e bom fim de semana


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