Vamos terminar a intervenção biomédica

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E não temos qualquer alternativa em mente. Será a primeira vez, desde que o Gui foi diagnosticado, que não iremos substituir uma terapia por outra. É estranho. Mas inevitável. Se calhar aceitámos, sem constrangimentos, que fizemos tudo quanto era possível e que ele fez tudo quanto estava ao seu alcance para ser a criança que queríamos que ele fosse. Não é. É só a criança que amamos incondicionalmente. O resto terá de encontrar o seu lugar à volta disto.

11 Respostas to “Vamos terminar a intervenção biomédica”

  1. Rainbow Mum Says:

    O seu amor incondicional é sem dúvida a melhor terapia…A verdade é que chega uma altura em que temos que parar de os tentar moldar à imagem do filho ideal que desejavamos e fazermos o que está ao nosso alcance para que sejam felizes. Nada mais importa e é esse o nosso papel.

    Um beijinho

  2. Atena Says:

    O percurso continuará a fazer-se, pai, e quem sabe de forma mais tranquila? Formalmente não irá substituír esta intervenção por outra, mas o Gui continuará a absorver outras aprendizagens de forma natural! O amor incondicional é por excelencia, A TERAPIA. Para eles e para nós…

    • Pai Says:

      Obrigado Atena, as suas palavras são sempre preciosas. gostava de ser como a Atena é, um poço de energia e optimismo. A mim calhou-me o reverso da medalha🙂

  3. ~CC~ Says:

    Quanto a mim “uma terapia” é uma coisa diferente de um processo terapêutico, a primeira afigura-se a uma receita a testar, e corre-se o risco de andar de receita em receita sem qualquer sucesso…à espera do milagre, o segundo é um processo de acompanhamento com base numa relação a estabelecer e que às vezes permite uma ajuda efectiva e sobretudo diferente face aquela que os pais podem dar, quase sempre complementar. É um diálogo com os técnicos em torno de uma aventura comum, em que todos participam de modo
    diferente. E isto é válido para qualquer criança ou pessoa de forma contínia ou pontual, autista ou não. E claro no pressuposto “rogeriano” de que ninguém cura ninguém.
    Um abraço
    ~CC~

    • Pai Says:

      Devo confessar uma enorme admiração pelas suas intervenções. São palavras ternas, porém justas; são comentários fortes mas bem medidos. Obrigado por se dar ao trabalho de faiscar sobre nós de vez em quando e de, assim, iluminar partes do caminho.

      • ccf Says:

        Obrigado por me responder e compreender, às vezes, confesso, tenho receio, sei que estou a entrar numa comunidade onde todos têm uma base de partilha que eu não tenho. Mas afinal é bom ter pontes convosco, fico a ganhar e mais rica pelo que venho aqui ouvir, saber.
        ~CC~

  4. Diana Rosa Says:

    Sua sinceridade me choca.Até porque eu ainda estou na fase de negação-aceitação e busca de ajuda.Mas adoro a forma como expressa seus sentimentos.
    Eu, que estou a dar meus primeiros passos,já tive que lidar com a frustração de encerrar uma terapia que ao que me disseram,seria o milagre esperado.Abraços.

  5. M. Says:

    Tomei a liberdade de comentar este seu post com o meu marido e a reação dele foi “agora, finalmente, eles vão viver…”. Um pai faz tudo por um filho, esta é apenas mais uma coisa que está a fazer pelo seu Gui, tenha ele autismo ou o síndroma das bolinhas amarelas. Revoltou-se, aceitou-se, experimentou-se, testou-se, falhou-se, recomeçou-se, pesquisou-se, desistiu-se, recomeçou-se (de novo) e quem não se sente ou não entende não pode certamente ser filho de boa gente (como diz a minha avó, analfabeta de letras)!
    Sabe, talvez eu seja muito cabeça no ar ou otimista ou sonhadora, mas ainda acredito em surpresas agradáveis – para mim ou para as outras pessoas. O Gui (ainda) não fala mas poderá encontrar a sua maneira de o fazer, mais tarde, sem estímulos, sem pressões, sem ninguém o esperar… E pode fazê-lo sem ser verbal ou audivelmente.
    Provavelmente, no seu lugar, faríamos o mesmo. E viveríamos em pensarmos em mais terapias receitadas ou pais-filhos-agenda ou o que quer que fosse. Viver, assim, simplesmente…
    Admiro-o muito pela força que demonstra ter. Muitas felicidades.

    Beijinhos nossos.

    • Pai Says:

      Se calhar vai haver um retrocesso nesta decisão. A Ana foi à médica, em Madrid, e está convencida de que podemos aplicar uma versão “light” do programa. Vamos ver. Em todo o caso, obrigado pela força. Beijinhos.


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