Obrigado Teresa (intervalo publicitário)

.

 

A minha boa amiga Teresa emprestou-me este livro que li ontem, em 45 minutos. É um livro fantástico. Dá voltas ao estômago, como todos os livros honestos e fantásticos. Vou transcrever um excerto.

.

“Quando estou sozinho no carro com Thomas e Mathieu, passam-me por vezes coisas estranhas pela cabeça. Vou comprar duas garrafas, uma de Butagaz e outra de Whisky, e vou esvaziá-las.

Digo para comigo que se tivesse um grande desastre de automóvel, talvez fosse melhor. Sobretudo para a minha mulher. É cada vez mais difícil viver comigo, e as crianças a crescerem estão cada vez mais difíceis. Nessas alturas, fecho os olhos e acelero mantendo-os fechados o maior tempo possível.”

17 Respostas to “Obrigado Teresa (intervalo publicitário)”

  1. Luísa Says:

    Este tipo de livros servem para quê e para quem? Quando se está à beira de um precipício, não se precisa de uma mãozinha que nos empurre… Ou se dá o salto ou não. Depende dos colhões de cada um. Literatura feita por carpideiras. Detestável. Sou uma mulher inculta e estúpida que vê os programas da Fátima Lopes. Mas, ontem vi uma menina FELIZ com progeria a dançar ballet. Isso é que são tarefas dignas de serem contadas; a da professora que só lhe ensinou o que sabe fazer; a da Mãe, uma auxiliar de acção educativa, sem teorias, que apenas sabe amar como quem respira. E a menina fez uma esparregata… Há gente com gandas colhões!
    P.S.: A criança não vai viver muito, mas vive MUITO BEM. Rodeada de gente que não se enfrasca em uísque nem abre botijas de gás, caralho!

    • Pai Says:

      Este tipo de livros servem para serem lidos. Ninguém precisa deles para abrir o gás ou espatifar-se contra uma parede. Numa altura do mundo em que é impossível alguém dizer, porque não é politicamente correcto, que a vida com um deficiente pode ser uma cruz e pode ser uma merda, serve para desamordaçar todos aqueles que sabem o que passa pela cabeça daquele pai que pensou aquilo sem nunca o ter feito. Não somos lemmings, não nos atiramos precipício abaixo porque alguém o fez primeiro nem passamos a celebrar a glória da vida porque os vizinhos o fazem. Podemos pensar pela nossa cabeça e celebrar a honestidade e transparência da comunicação de uma experiência alheia? Antes a isso chamava-se arte. Agradecido.

  2. Luísa Says:

    A menina não fez esparregado , nem “esparregata”. Fez ESPARGATA! A minha gata até bufou com tamanha e estúpida gralha! Mas eu só tenho a 4,ª classe e feita nos adultos… Além de estar furiosa.

    • Pai Says:

      Novas oportunidades. Daqui a nada está a dar aulas na Moderna.

      • Luísa Says:

        Ainda iria aproveitar a sugestão, caso existisse a INDEPENDENTE… Sempre curti exames em série, ao domingo.
        Mas, devido ao passamento de tão excelsa universidade, cá me fico lendo CARAS e vendo corações. Tenho muito respeito por ti, PAI, mas lá que tens mau gosto literário, lá isso é verdade…

      • Pai Says:

        Ó Luísa, este livro ganhou o Femina 2008 e, mais importante, foi finalista do Goncourt no mesmo ano.

      • Luísa Says:

        Olá, Pai! Estou a dorar o rebuliço…
        A sua gata chama-se FEMINA? E o Goncourt é o papagaio? Se tiver um cãozinho, chame-lhe NOBEL. É bonito…
        Vá passear o Gui e depois escreva novo post, para haver animação…

  3. Atena Says:

    Também tenho esse livro e tb o li em poucos minutos… (Tenho, aliás, quase todos os livros relacionados com autismo). Não foi o livro que mais gosteí de ler… mas relata alguns momentos duros pelos quais provavelmente muitos de nós passamos. São isso mesmo, momentos apenas. Outros temos com mais cor, com mais sol … a vida é feita de tudo isto! Quando os pensamentos do pai deste livro ultrapassam a fase de serem apenas um momento, tornam-se a meu ver, uma profunda injustiça para com os filhos! Já o disse várias vezes, não nascemos como queremos… apenas nascemos… e apenas deveriamos ser aceites, será assim tão dificil??? Pelo menos que o sejamos pelos nossos pais.
    P.S.: Posso sugerir-lhe uma outra leitura, se me permite? De Bryna Siegel, “O mundo da criança com autismo”.
    E já agora – porque nem só de autismo se faz a vida: O livrio de António Feio, “Aproveitem a vida”.
    Abraço para si, Pai…

    • Pai Says:

      Atena, eu acho que a virtude deste livro não tem a ver com a revelação da “verdade”, até porque, como muito bem diz, há muitas verdades que ficam de fora do âmbito desta obra em particular. O livro do Fournier supreendeu-me e agradou-me porque a fatia de realidade que se propõe mostrar, mostra-a muitíssimo bem (alia a qualidade do conteúdo à qualidade da escrita).
      Relativamente às suas sugestões, vou ver esse da Bryna. Obrigado. Beijinhos.

    • Luísa Says:

      “(…) não nascemos como queremos… apenas nascemos… e apenas deveriamos ser aceites…”

      ATENA, esta sua frase deveria estar gravada em letras garrafais em todos os portais de SABEDORIA!
      Tão linda!…
      Um abraço,
      Luísa

  4. Cap? Says:

    Não conheço o livro em causa. Hei-de conhecê-lo. Creio no entanto que, quando a multiplicidade de um mesmo tema paleta, não surge num só livro, é bom que existam no mercado outros que lhe façam o contraponto. É possível que seja o caso.
    As histórias não têm que ser todas cor-de-rosa. Não é necessária mais que a instrução primária para entender que existem na vida precipícios nos quais se vai caindo empurrados ou por vontade própria, para depois ressurgirmos a bater asas novamente. A vida é um conjunto de mortes e renascimentos. Tomates têm aqueles que por vezes são capazes de assumir publicamente a mó de baixo e são também os que têm a maior probabilidade de viver a mó de cima sem ser em falsete e com maior intensidade. Não sei se a escassez de caralhada no meu comentário consegue captar a atenção mas, tenho esperança.

    • Luísa Says:

      O seu comentário conseguiu e muito bem captar a minha atenção, pela lucidez e bom senso. E pela capacidade de ser muito bem educado (a). Eu, peço desculpa, mas sou do nuoooooorte e mulher de poucas letras, com o senão de amar todas as crianças e admirar todos os pais que fazem o seu melhor, como o PAI, sem por isso, fazerem a apologia ou utilização de uísque e estampanços contra uma parede. Gosto desses heróis.

  5. Luísa Says:

    PAI, o seu filho é tão bonito!… Tão meigo (para o PAI… porque para mim, deita-me cada olhar de fúria, quando lhe faço ciúmes!… Quando digo: o PAI é meu! Bolas… o cachopo tem mesmo mau feitio!… Sai ao Pai.) O seu filho dá-lhe cá cada abracinho… O seu filho ama-o tanto!…
    Pai, o seu filho é uma plantinha tão linda e exótica, mas tão frágil… Porque é um MENINO. Porque é um menino doce e meigo. O amor que ele sente e lhe retribui é um milagre quotidiano que prova que o PAI é um excelente comunicador, um artista da rádio, TV e K7 piratas, um homem que ainda vai estar no TOP de todos os prémios para um concurso difícil comó caraças: “O MELHOR PAI DESTE MUNDO”.
    E olhe PAI, você é um candidato de PESO, embora seja magrito. Recomendo-lhe umas boas açordas e uns gaspachos. Ou umas feijoadas à transmontana.
    PAI, hoje está um dia lindo! Vá curtir o seu GUI. Como sempre o faz. E vai ver que fica logo bem disposto. A próxima semana de trabalho não vai apanhá-lo desprevenido. Com as baterias carregadas, o PAI até vai ser eleito também o melhor funcionário deste ano. Um homem que aguenta uma tarefa sem feriados, como é criar um filho, está pronto para todas as guerras. E para a PAZ, que é uma coisa muito mais complicada, cujos obreiros são homens e mulheres como o PAI.
    PAI, hoje pode ir para a praia com o GUI. Não se esqueça de levar o CAMAROEIRO.

  6. Luísa Says:

    PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai…
    Gosto muito de ti. Gosto dos teus abracinhos. São quentinhos e especiais. Como eu.
    PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai…PAI, pai, pai…
    Preciso de ti. Como tu precisas de mim. Pai, somos uma equipa. Dá cá um abraço! Aquele abraço…
    PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai, PAI, pai, pai…
    Amo-te, pai.
    GUI
    P.S.: A Luísa escreveu. Mas eu SENTI.
    Gui

  7. ccf Says:

    Sei que não gosta muito de especialistas, sobretudo psicólogos, coisa que assumo ser, mas posso dizer-lhe que não há dúvida nenhuma que a nossa saúde mental passa pela capacidade de exprimimirmos os nossos sentimentos, não aqueles que são desejáveis ter, mas aqueles que temos mesmo. As cambiantes que vão do amor à repulsa, da alegria ao desespero, são assim todas legítimas. Faz bem em trazer aqui o que sente, com livros ou sem livros pelo meio.

    ~CC~


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: