Ainda os metais pesados

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Para ler, esta notícia do Público, que para já me provoca duas reacções diversas: uma tem que ver com o teor da comunicação que a Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição, segundo o texto, faz, e que incide sobretudo na recomendação às grávidas e aos bebés de não ingerirem peixes que possam conter quantidades elevadas de metais pesados. Em primeiro lugar, a Agência, a crer na notícia, falha um ponto que me parece ser um bocadinho essencial em coisas deste teor e magnitude: não chega dizer às pessoas que não devém comer ou beber ou fazer isto ou aquilo; é necessário dizer-lhes o que acontece se o continuarem a fazer a despeito das recomendações. E se somos diaria a assustadoramente bombardeados com as consequências possíveis de tudo quanto fazemos, de fumar a arrotar, porque escolhe a Agência espanhola o caminho menos profícuo de marketing sanitário para divulgar isto? Parece por um lado que se sente na obrigação de o fazer (por que, de facto, algo de grave deve acontecer quando não se seguem estas recomendações) e parece, de igual modo, ter algum receio de divulgar as consequências que podem advir do não seguimento das recomendações que propõe? Porquê? Porque muito naturalmente o esqueleto no armário é o autismo e ninguém quer mexer nele sob prenda de ajuntar, à volta das explicações incompletas, milhares e milhares de pais tão sedentos de respostas como de saber a quem (ou ao quê) culpar. Portanto a Agência emite um comunicado envergonhado, alertando para os riscos genéricos dos metais pesados na cadeia alimentar do humano, especialmente em tenra idade, sem se comprometer com a comunidade do autismo, que é aquela que, mais avidamente, precisa de ter e dispor deste tipo de informações. É dar um tiro no coelho para matar a perdiz. É o que acontece quando a ciência cora.

Outra das coisas que me despertam alguma curiosidade é o facto de isto não chegar cá senão por reflexo do que se diz “lá fora”. É assim tão difícil articular este tipo de conhecimento com agências que devem ter, inclusivamente, organismos europeus a supervisioná-las ou, pelo menos, a noticiarem os comunicados que elas emitem? Estão à espera que chova?

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