A mãe do Gui vai de férias

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O pai do Gui vai ficar com ele duas semanas. Não vou dizer que não tenho algum receio da exposição prolongada ao autismo (que acompanha o Gui, num dois-em-um indissociável) de que tenho estado “a salvo” desde a separação. Na verdade, tenho muitos receios, especialmente o de não conseguir dar o meu melhor para que ele se sinta feliz e confortável na minha casa, e tenha, tão pouco quanto seja possível, falta da mãe e dos seus cuidados insubstituíveis.

Já fiz planos para levá-lo aqui e ali a passear e a divertir-se. Já chorei antecipadamente as horas de sono que vou perder por ele acordar mais cedo que o galo matutino. Já percebi que a minha vida vai estar imprimida de uma exigência à qual não tenho estado habituado nos últimos tempos. Talvez seja o período ideal para ver se estou mais equilibrado, se tenho mais tolerância para com o autismo e se, de algum modo, cresci e sou uma pessoa melhor para o meu filho e para mim próprio.

Tenho medo de falhar.

Publicado em autismo. 6 Comments »

6 Respostas to “A mãe do Gui vai de férias”

  1. Ana Salgueiro Says:

    Vai ser uma experiência, se calhar dura, mas que no fim vai ter um resultado positivo porque vos vai aproximar mais e vai permitir ao Gui ter outro modelo que não o da “insubstituível” mãe. Se precoisar de ajuda diga…

  2. ISABEL SANTOS Says:

    OLÁ BOA TARDE
    QUE IDADE TEM O GUI? DO QUE ME LEMBRO DO OUTRO BLOGUE ELE JÁ ESTÁ CRESCIDITO E SE VAI À CASA DE BANHO MEIO CAMINHO ANDADO,O RESTO VAI VER QUE SE HABITUA…DEPOIS HÁ SEMPRE QUEM D~E UMA AJUDA VAI VER…E TEM O GRUPO DE APOIO DOS PAIS EM REDE QUE LHE DARÃO TODO O APOIO NECESSÁRIO,OS AMIGOS,O SEU FILHO,VAI VER QUE TUDO VAI CORRER BEM…NÃO VAI SER UM MAR DE ROSAS…MAS HÁ QUE SABER APROVEITAR O SEU PERFUME EFAZÊ-LO PERDURAR PARA AS HORAS DIFICEIS.
    TUDO DE BOM

    • Pai Says:

      Obrigado pelas suas palavras Isabel. Não é que seja inteiramente uma novidade esta experiência mas, de facto, a mãe é que é a especialista do Gui desde que nos separamos. Eu vou fazer – como sempre – o meu melhor, o que me compete, esperando sobretudo que seja suficiente para ele estar feliz.

  3. Cristina Says:

    Olá pai… tantos medos?!?!?! Descanse que não são comuns apenas a si… Conheço muitas histórias de medos que originaram “fugas”! Pergunto-me o que se chama a isto? Nem quero saber da resposta porque imagino logo a parte daqueles que não se podem dar ao luxo de ter medo e fazer o mesmo, porque há uma criança que precisa deles!
    Não critico, acredite, apenas fico triste… imensamente triste porque de facto, imagino que uma luta a solo é ampliada e muito sofrida. Digo isto porque felizmente a minha luta é dividida, desde sempre, desde o inicio que como mãe e pai o fazemos… sabe Deus quantas lágrimas e quanta dor passamos – mas sempre juntos por nós e pelo nosso filho! Sabe Deus quanto cansaço e quanto medo, e hoje estamos aqui – felizmente juntos… felizmente por nós, que afinal nos amamos e também pelo nosso filho a quem tem sido tão benéfica a presença e o apoio das 2 pessoas mais importantes para ele.

    • Pai Says:

      A nossa luta também foi dividida até deixar de o ser, por escolha materna. Agora posso apenas tentar fazer o melhor de mim para que ao Gui não falte nada enquanto estiver comigo. Não tenho tanto medo assim, apesar de poder transparecê-lo. Tenho alguns receios próprios de quem não está inteiramente seguro das suas competências. Mas vai tudo correr bem. O Gui também fará por isso😉 Obrigado pelo seu comentário.


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