Já li

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E recomendo. E devíamos ter uma revista igual, parecida, ou simplesmente ler aquela (falo do número 1, que me pareceu mais suculento e maduro que o número 0). É um crime desperdiçar comida ou recursos e a “Revista Autismo” é paparoca para as almas que, como nós, penam de míngua informativa e pecam por estarem sempre atrasados relativamente ao que poderiam estar a fazer pelos filhos. A revista é despretensiosa na forma – tipicamente brasileiro, podiam apresentar os resultados de uma década de colisões no CERN de chinelos e bermudas – e sucinta no conteúdo. Num só número, cobre um leque amplo de terapias actuais e disponíveis no mercado do autismo: son-rise, floortime, homeopatia, DAN! e PECS, e julgo que o número zero fala de ABA e RDI. Pena é que la para o número três esteja esgotado o filão das terapias. Haveria provavelmente que voltar a cada uma delas focando aspectos mais precisos e relegando a óptica mais ampla para os números iniciais.

O “centerfold” da revista é uma entrevista com Alysson Muotri, um neurobiólogo que, teoricamente, está em condições de curar 90% dos casos de autismo, através de terapia genética. Além de uma entrevista excelente do ponto do vista da linguagem (nunca chega a ser formal o suficiente para afastar o leitor) é igualmente muito positivo pensarmos que existem dezenas, centenas e talvez milhares de pessoas, intelectualmente dotadas, a empreender estudos que podem, em última análise, se não curar os nossos filhos, pelo menos recolher ensinamentos que permitam evitar mais uma geração de sofrimento.

Não me parece ser difícil, inclusive, replicar o modelo da revista brasileira, por uma variedade de razões, entre as quais o facto de ser uma publicação inteiramente electrónica, i.e., sem custos de impressão. Mais a mais, os artigos são colaborações voluntárias de pessoas com alguma proeminência nas áreas sobre as quais escrevem e que se dão a conhecer – assim como aquilo que praticam – pela revista, gerando sinergias de divulgação que beneficiam ambas partes. Mais uma vez, recomendo, tanto a revista como o exemplo.

Uma resposta to “Já li”

  1. rosario filgueira Says:

    Há quem diga que as grandes descobertas sao fruto da casualidade…
    Excelente idea!! maos a obra!!


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