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Acabámos de ceder um ponto parcial
Num minúsculo exercício de esforço
Apartámos as órbitas nas quais vamos deslizando
Numa carambola de tangentes mútuas
Só à espera da resolução
E que por detrás da máscara aconteça um rosto
Uma alquimia de expressões
O decalque imóvel de um sudário
a dizer
chega
adeus
basta
A traçar como as crianças na areia molhada
Uma assimptota ao horizonte regrado dos sonhos
Onde por coincidência saciamos a mesma sede
A mesma pueril pretensão de saber explicar família

Seguimos como cometas dissidentes
Cada qual
Inexpressivamente
A cobiçar um canto onde acolher o cadáver resgatado às horas do trabalho
E do sindicalista gregário e mediano
Acontece por vezes
Inesperadamente numa intermitência de pirilampo
O ex-marido ou a ex-mulher
(em perfis esfíngicos de desgosto)
A calejar os dedos na tarefa para sempre inacabada
de desfazer os nós onde acontece nós
para que no fim ou perto disso
a trama do destino seja como o desfazer de uma teia
e que o fio que daí resulte seja apenas o longo e aborrecido testemunho
do acontecimento singular e solitário de um umbigo
onde outrora orbitara o desejo
o futuro
e a esperança
na forma fátua de um cotão de eternidade
onde o eu se esfrega e se excita
à espera de num repente onomástico aprender a dizer nós.

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