GAE – Grupos de Apoio Emocional

 

Quem me conhece sabe que uma das coisas que reclamo há muito é uma terapia para os pais de crianças com autismo. No meu caso em apreço, a vida tem sido tão inconciliável com o autismo que acabei por dar por mim a fazer o meu percurso como se avançasse, despido, por um corredor estreitíssimo pintado a tinta de areia. A vida tem sido assim: abrasiva. Muito por culpa de dedicarmos todo o tempo disponível ao processo de cura do Guilherme, não dedicamos tempo algum ao processo de manutenção de nós próprios, e isso saiu-nos brutalmente caro, porque a relação foi-se desgastando até chegar ao ponto de ruptura e agora temos de continuar a apostar no Guilherme dividindo esforços em vez de os podermos multiplicar. A aritmética não tem segredos nem compaixão, é o que é.

No Sábado estive presente no GAE, do qual já tinha postado aqui uma pequena notícia. É um grupo de apoio dinamizado pelo pais em rede e pretende preencher a lacuna que apontei no início do primeiro parágrafo deste post: terapia para os pais de crianças com necessidades educativas especiais. No caso em apreço, o grupo não se restringe a pais de crianças autistas, se bem que façamos cerca de cinquenta porcento em termos de representatividade. É bom, como diria ao meu a amigo P. noutro post, poder falar com pais sem ter que explicar a inexplicabilidade do que é ter um filho diferente. É bom que as pessoas tenham paciência para com os silêncios ovados de lágrimas e compreensão para os riachos que brotam inesperadamente das pupilas sobrecarregadas. Não temos de fingir ser felizes, infelizes ou normais. É um espaço nosso, onde podemos entrar sem a maquilhagem do dia-a-dia e sem ver espelhada na cara dos outros a surpresa ou desaprovação por não estarmos devidamente camuflados.

Dizem que os grupos vão ciclicamente ser renovados até abranger cerca de 1800 pessoas. É um número considerável para se criar uma rede de apoio. Vão acontecer em Évora, no Porto, e certamente noutro locais nos quais os pais de manifestem necessitados. Aconselho todos os pais que têm um filho diferente a darem o primeiro passo para serem parte desta comunidade porque, no futuro, poderão ajudar-se ajudando. E a força de uma sociedade reside na capacidade que as minorias que a compõem têm de mobilizar-se e defender os seus legítimos interesses. Somos alguns, podemos ser mais, somos bons, podemos ser melhores. As nossas crianças não esperam menos de nós.

Uma resposta to “GAE – Grupos de Apoio Emocional”

  1. Maria João Says:

    Como eu o entendo……..


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: