2. E depois, não fica melhor?

 

E de todas as vezes que vou a minha antiga casa, da qual ainda não me desacostumei, sequer, do cheiro agridoce de uma felicidade às arrecuas, entro a suster a respiração como se fosse mergulhar em profundidade e mal me refaço, a tempo de cumprimentar as caras que a ocupam com ares de propriedade, volto a minha atenção para o Guilherme, para onde ele está e, munido dos meus óculos-biombo, onde por detrás a minha alma se despe numa tristeza de riacho, vou direito a ele como se encontrasse uma âncora na tempestade e conseguisse, ali mesmo, fixar, mesmo que por momentos, o turbilhão feito de vida revestida de lâminas afiadas que revolve sem fim o meu interior cansado de desgaste, ferido e desocupado de esperança, apenas sustido de pé pela sombra das lentes e pelo olhar que o meu filho faz quando que chego e o abraço e o distraio da bonecada em sintonia na televisão e nesses momentos, se não sou feliz não é porque não queira, mas porque ainda não posso.

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