1. E depois, é só isto?

 

Olho para o meu filho, quando o vou buscar, aos fins-de-semana ou quando posso, e gosto de pensar, mesmo que indevidamente, que ele sentiu a minha falta e que está desejando falar comigo, mesmo que seja naquela língua dele, muito própria, feita de gestos e de olhares. Gosto de pensar (e nem quero atrever-me a pensar de outro modo) que ele sente, proporcionalmente, as saudades que eu tive dele. Que ele me quer tanto como eu o quero e que o divórcio pelo qual passo com a mãe dele é uma gigantesca contrariedade à nossa felicidade possível. E gosto de pensar isto tudo enquanto ajeito os óculos escuros e limpo uma lágrima atrevida que não quero que ele veja, mesmo que ele nunca a perceba como mais do que um pingo de água e sal a contornar os sucalcos onde as rugas começaram a fazer ninho.

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