apresentação

 

Nada melhor para me apresentar neste espaço do que falar da minha dificuldade em fazê-lo. Duas questões centrais: publicidade e escrita. A primeira refere-se à minha relutância em tornar público o privado. A segunda indica uma preferência de carácter, antes a palavra dita do que a palavra escrita. Ou seja, sou mulher e gosto da conversa de cerejas com infindos e surpreendentes desfechos, o palavra puxa palavra que de um modo tão espontâneo me leva e trás num vaivém de experiências alheias de onde retiro algum conselho ou advertência.
Por isso, as linhas directrizes do meu discurso escrito começam geralmente por “uma amiga disse-me” ou então “ainda no outro dia estava a falar disto com”. E assim começo a minha intervenção de hoje: “Uma amiga disse-me hoje” o quão maravilhoso é para uma criança ter um pai e uma mãe diferentes um do outro.Se esta situação não redundar em divórcio conflituoso a criança poderá beneficiar fortemente pois poderá usufruir nas mais diferentes actividades do entusiasmo próprio que cada pai ou mãe tem em partilhar algo que gosta com o seu filho. Por exemplo, eu adoro água em todas as suas formas e sabores e adoro levar o Guilherme à praia ou à piscina. O pai, pelo contrário, odeia todas as actividades que incluam água fria ou mesmo tépida, pior ainda se houver areia e sol à mistura.
Que bom será se depois de uma manhã de praia (sim porque a mãe tem esse péssimo hábito de se levantar cedo e gostar) a criança tiver a oportunidade de fazer uma actividade lúdica na serenidade do lar.
OK, eu sei perfeitamente que isto não é fácil e que as metáforas do complemento amoroso, da equipa multidisciplinar, do respeito mútuo pela individualidade de cada um no seio do casal, enfim, do casamento perfeito já foram debatidas vezes suficientes para sabermos que não existem fórmulas. No fundo o que eu quero dizer no meio disto tudo é: para os miúdos não é tão catastrófico como para os graúdos. Eles não vão ficar traumatizados porque o pai não os levou ao parque, se a mãe o fizer, tal como também não ficarão se a mãe não perceber nada de computadores. Ou seja, se os amarmos e lhes mostrarmos isso à nossa maneira e da mesma forma nos comportarmos quando os repreendemos isso não vai gerar nenhum tipo de cisão do ego ou sequer confusão. A eles interessa-lhes o miminho, o brincar, o descobrir e o inventar. A nós, pais, cabe-nos encontrar um equilíbrio em quem proporciona que parte para que no fim o resultado da equação seja positivo e, já agora, que educar o filho seja uma partilha de vida e interesses e não uma violação constante da personalidade dos pais.
Quando se tem uma criança como o Guilherme esta demarcação de actividades tem ainda a intervenção dos médicos e terapeutas com toda a bagagem teórico-prática. É preciso avaliar interesses (sempre estritos e limitados) e começar a ampliar o âmbito da brincadeira. É preciso antecipar dificuldades e proporcionar estruturas conceptuais básicas de compreensão do mundo. É preciso confrontá-lo com desafios passíveis de serem ultrapassados. É preciso com toda a delicadeza presenteá-lo com o nosso mundo, com os nossos interesses, com a nossa visão. E depois de tudo isto, depois de reforçar vezes sem conta o quanto aguardamos que aceite o nosso convite…Sinceramente não sei o que se segue. Talvez seja um convite da parte dele.
As minhas desculpas à referida amiga, pois como já se percebeu ela não disse nada disto, excepto pela primeira frase. Mas as conversas são como as cerejas, mesmo dentro das nossas cabeças.

 

Mãe.

Publicado em blog. 1 Comment »

Uma resposta to “apresentação”

  1. Maria Says:

    Mãe, tenho
    – para além da filha SA, de seis anos e meio, outra de dez anos, com muita(demasiada) energia;
    – uma profissão extenuante;
    – um marido com um personalidade completamente diferente (por vezes irritantemente diferente…) da minha
    e
    estou exausta e saturada!🙂

    Permita-me que partilhe consigo as descobertas mais básicas que fiz neste percurso de quatro anos e meio (por ordem cronológica, da primeira para a última…):
    1.º não ser terapeuta da minha filha: há muitos terapeutas; mas só há uma mãe – eu;
    2.º não “brincar” com as minhas filhas: elas que brinquem sozinhas, uma com a outra ou com os amiguinhos, como eu fiz na idade delas;
    3.º cuidar de mim própria: só agora descobri, estou em fase de implementação…😉


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