maleitas quase perfeitas

Eu sei. Rima. E nem por isso suscita interesse ou estima. Mas há coisas que nos saem assim, sem esforço ou crítica, numa espécie de réplica dos gemidos invonluntários que trepam as paredes da laringe quando, por exemplo, Agosto nos presenteia um dia de praia próprio de criaturas de calotes polares. Adiante.

O Guilherme está adoentado. Fomos com ele ontem ao Hospital (CUF Descobertas, espécie de contraponto sanitário ao conceito de fast-food, já que estamos em maré de paralelismos) para lhe ser diagnosticada uma virose. Uma virose – retomando o grato percurso da comparação – é o equivalente infanto-juvenil da famosa cólica do recém-nascido. Explico-me: como não há tempo/conhecimento/capacidade aprofundada de prover explicações (convincentes, que desde o surgimento do Google a malta tirou as vendas e clareou a voz inquiridora) mune-se o médico do redentor bálsamo vírico e distribui paciente sim paciente não a justa medida da ignorância confiante. Em dois ou três dias a coisa amaina, a febre desce e das consequências inferimos ilogicamente que as premissas estariam correctas. Wrong. À aflição respondem-nos com sossego. É quanto baste. Seja cólica, virus ou torção da anca.

No caso do Guilherme e tendo em conta que ele não fala, que não sabe indicar o que lhe dói e que não nutre consciência da possível gravidade do mal que o acomete, o virus cai-me como mel na sopa e durante estes três dias ninguém desmente o bendito do clínico sob pena de severa repreensão parental.  

 Pai.

Publicado em autismo. 3 Comments »

3 Respostas to “maleitas quase perfeitas”

  1. Maria Says:

    Gostei dos três posts!
    Gosto sempre das “divagações” bem escritas, embrulhadas em humor.
    Voltarei!🙂

  2. Maria Says:

    Segunda tentativa!😉
    (veremos se desta fica o comentário…)

    Li os três posts e apreciei as “divagações”, bem escritas, embrulhadas em humor.
    Voltarei.🙂

  3. Rita Says:

    Aprendi a esperar os 3 dias da virose.
    Não se verificou no caso do Gui, mas no caso da minha Kika, foi verdade a esmagadora maioria das vezes… era um vírus e passou.
    Gosto de médicos que me dêem conversa, muita conversa… sou teimosa e só talvez assim me convençam de que é uma virose. Confesso que, não me dizendo nada, não tenho muita alternativa senão esperar os 3 dias… igualmente eficaz!

    Trabalhei com o Guilherme em ligeira dificuldade respiratória e concomitante cansaço. O Gui emparelha imagens sem pestanejar, procura o igual, põe no velcro, tira e põe do velcro… põe mais direitinha e repete o seu mecanismo.
    Mmmm, acho que não precisa de mim para fazer esta tarefa em total autonomia. Aspecto positivo.
    Então reproduzimos as imagens em maior dimensão e vamos carrega-las de significado. Guilherme, aqui é… água! O Guilherme olha para as micas A5… começa a da-las todas, com olhar bem presente (toma, dizem os seus olhos).
    “- Espera Guilherme, não te pedi nada… agora és tú!”
    E com as minhas nas suas mãozitas, faço-o tocar-me (“- Olha”) e respondo (“- Sim, Gui?”)e faço-o apontar (“- Aqui, é a água!”)
    Depois fazemos a revisão (“- Gui, dá-me a água”).
    – Aaaah Aaahh!
    Não aceito: “- Não Gui, tú sabes, vá lá, sem chorar”
    O cansaço era tanto, a resistência parou ali.

    No dia seguinte retomamos a sessão. O Guilherme estava em muito maior forma. A sua resistência foi mais eficaz. O boicote foi conseguido!!
    Sou teimosa… acabamos sempre as nossas tarefas, mas esse dia foi da caça.


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