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Já jantei com a Luísa, já comentamos o magnífico fogo-de-artifício que ela se propôs a lançar, gratuitamente, do convés deste blog para todo o mundo conhecido; apreciei o gesto, afinal, o esfinge obesa, também ele, queria que no seu funeral houvesse quem batesse em latas. Tudo dentro do preceito psiquiátrico de uma certa corrente de anti-psiquiatria de esquerda que consiste em comer maçãs nas consultas para que o paciente enfie no toutiço que não padece de nada. Funcionará com a larga percentagem daqueles que não padecem de nada, e aos restantes, nada tem a oferecer senão o caroço que sobra das maçãs.
No dia da ressaca natalícia do festival da minha tristeza, devo anunciar que pouca coisa mudou, comi talvez um carocito que não me encheu a cova de um dente. Continuo assim-assim macambuzio, mas já se sabia que o tempo é o instrumento pelo qual se corrige o desnível do coração. Vou tentar vir cá mais vezes, e falar mais do Gui, e do autismo, e do que interessa. E menos de mim (já tive quanto chegue para 2012, e dizem que é o fim do mundo lá mais pró fim do ano, talvez tenha de comprar boxers novos).
Hoje vou buscar o Gui e ele dorme lá em casa, talvez Sábado à noite e domingo certamente. Estou outra vez na minha perspectiva macroscópica: quero que ele tenha um futuro condigno quando eu não andar por cá. E tenho pensado nisso. E preciso falar disso com a mãe dele, entre outras coisas difíceis. E tudo ficará bem no fim, porque se não ficar, como dizem, ainda não é o fim.
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Obrigado aos instigadores maravilhosos desta insurreição contra a tristeza. BEIJOS.

19 Janeiro 2012 ás 12:50
mais obvio impossivel….talvez seja o momento de se deixar ajudar
19 Janeiro 2012 ás 12:57
Cara Rosário, nem me vou suicidar, nem estou a brincar. Apenas tentei transmitir que as nuvens continuam cinzentas, mas que no horizonte se adivinha a influência do anti-ciclone do Açores e talvez do Tufão Luísa.
20 Janeiro 2012 ás 11:39
perdi 4 pessoas por suicidio, 3 deles homens…todos diziam estar bem…. Depressao é coisa séria …prometa me que se vai mimar.
um xii
20 Janeiro 2012 ás 11:48
Não estou bem, e não me vou matar
obrigado pela preocupação. Beijinhos.
19 Janeiro 2012 ás 13:16
Gosto do tufão Luísa. Gosto mesmo muito. E para a próxima também quero um cafezito (sou um bocado antissocial e isto de jantares faz-me espécie – também devo ser autista
)
Fico contente que se esteja a avizinhar um melhor momento e um amanhecer mais rosado. Não precisamos de nuvens fofas de algodão doce ou unicórnios mas sabe bem ter um dia feliz!
O fim do mundo costuma calhar-me todos os meses lá para dias 12 ou 13, que é quando o ordenado já se foi todo embora por causa de contas e pagamentos e prestações.E, ainda assim, sobrevivemos até ao mês seguinte
por isso, esperemos que seja um fim do mundo assim do género
O anúncio da coca-cola poder ser demasiado lamechas e rosadinho e blá blá blá e mi mi mim mas faz-nos ver que há sempre um outro lado para lá do lado negativo. Deve ser por isso que me deu agora para ler a “Alice no país das maravilhas”… Há sempre um outro lado, mesmo que não pareça fazer sentido ou seja muito estranho. Mas é, certamente menos negro.
Espero que a conversa com a mãe do Gui corra bem e cheguem a alguma conclusão e consenso. Um beijinho especial para o Gui.
19 Janeiro 2012 ás 14:45
O café, quando quiser. Contacte-me pelo mail. Beijinhos.
19 Janeiro 2012 ás 18:21
eh eh eh fica um café virtual. Eu sou da área geográfica de Coimbra e o Pai parece-me ser da área geográfica de Lisboa. Fica um café bem caro
19 Janeiro 2012 ás 14:02
«Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
e eu quero por força ir de burro! »
Mário de Sá-Carneiro
19 Janeiro 2012 ás 14:07
AQUELOUTRO
O dúbio mascarado o mentiroso
Afinal, que passou na vida incógnito
O Rei-lua postiço, o falso atónito;
Bem no fundo o covarde rigoroso.
Em vez de Pajem bobo presunçoso.
Sua Ama de neve asco de um vómito.
Seu ânimo cantado como indómito
Um lacaio invertido e pressuroso.
O sem nervos nem ânsia – o papa– açorda,
(Seu coração talvez movido a corda…)
Apesar de seus berros ao Ideal
O corrido, o raimoso, o desleal
O balofo arrotando Império astral
O mago sem condão, o Esfinge Gorda.
Paris – Fevereiro 1916.
19 Janeiro 2012 ás 14:14
Porque nem todos gostam de se masturbar com poesia – eu gosto- , publiquei como comentários dois poemas de Mário de Sá Carneiro, que poderão funcionar como guião para a melhor descodificação do “post” do Pai, para que se entenda a que latas se refere e para que o “esfinge obesa” seja lido como paráfrase do “esfinge gorda”.
19 Janeiro 2012 ás 14:29
CARANGUEJOLA
Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!…
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!
Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado…
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira…
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.
Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
Pra quê? Até se mos dessem não saberia brincar…
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito pra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!…
Noite sempre plo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho– que amor!…
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor –
Plo menos era o sossego completo… História! Era a melhor das vidas…
Se me doem os pés e não sei andar direito,
Pra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito…
De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?…
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo –
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza…
Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará.
Pra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. Co’a breca! levem-me prá enfermaria! –
Isto é, pra um quarto particular que o meu Pai pagará..
Justo. Um quarto de hospital, higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda…
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris fica bem, tem certo estilo…
Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras…
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.
Últimos Poemas, Paris, Novembro 1915
19 Janeiro 2012 ás 14:33
O poema anterior toda a gente o conhece (?): é do Sá Carneiro, Mário, Poeta.
19 Janeiro 2012 ás 14:53
Passo apenas para um abraço sincero e dizer-lhe que a mim me sabe sempre tão bem ler as coisas que escreve…
19 Janeiro 2012 ás 17:00
Obrigado, Atena, beijinhos.
19 Janeiro 2012 ás 18:41
Insurreição contra a tristeza! Isso mesmo…O Jacob Moreno pediu que na campa dele se escrevesse: aqui jaz Moreno, aquele que tentou combinar a psiquiatria com a alegria. Calculo que fosse dos que oferecem as maçãs…mas devia incentivar os pacientes ao tiro ao alvo com os caroços.Também dizia do Freud: a tarefa dele é despedaçá-los, a minha é colar-lhes os pedaços.
Café continua de pé (para continuar as rimas), tenho uns horários um bocadinho malucos e o meu rio não é o Tejo mas o Sado, o mote é mesmo dois dedos de conversa…se isso ajudar nalguma coisa e souber bem. Quando tiver vontade, paciência, disponibilidade, escreva para o meu mail e combinamos.
~CC~
20 Janeiro 2012 ás 11:49
Claro que sim, quando puder/quiser, dois dedos de conversa são sempre bem-vindos. eu escrevo-lhe para o mail. Beijinhos.