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Agora que o Inverno bateu com a bota cardada na soleira da porta e entrou, definitivamente, casa adentro sem pedir licença, enregelando à sua passagem tudo mais o gato que mia aflitivamente atrás da cortina do aquecedor à óleo de onde não sai nem para mijar, cabe perguntar: o que é se faz com um filho autista em casa, ao fim-se-semana, para não sucumbir à modorra, à loucura, ou à versão híbrida de ambos, a que usa chamar-se normalidade?
O Gui tem poucos interesses para além de desenhos animados e comer. No modo desleixado, punha-lhe uma arroba de tiras de milho no colo, ligava o Panda e esperava por Domingo à noite, hora de recolha. Como não sintonizo com frequência essa onda hertziana da disposição e alimento uma consciência de culpa assaz virulenta, não vai dar para fazer isso. Fazer o quê? Não posso andar com ele às cavalitas em casa (ele ri-se, eu rio-me e faço exercício) porque parti uma costela (mota + carris). As actividades físicas não o estimulam por aí além. Às actividades intelectuais dá-lhes o desprezo que eu não daria ao Goucha em tronco nu (tentem agora afastar essa imagem insidiosa da imaginação). Pensei em fazer as lides domésticas e pó-lo a ajudar. Talvez ensinar-lhe a pôr os talheres no sítio e ajudar-me a tirar a roupa da máquina (não o obrigo a estendê-la para não o recolher gelado).
De qualquer modo, antevejo um fim-de-semana em que vou ter de me esforçar mais para entretê-lo (e a mim, já agora) tendo em conta que a “rua” não irá colaborar. É uma merda, mas ainda assim é uma merda circunstancial e, de todas as coisas merdosas neste país, é bem capaz de ser a que menos me chateia neste momento. Aceito sugestões.

9 Dezembro 2011 ás 17:13
Vi ontem o adestramento de caes lavradores para os miudos autistas. FLIPEI !!!
10 Dezembro 2011 ás 14:14
Os computadores costumam ser muito apelativos para os nossos meninos… talvez pôr videos de musicas infantis (p.e. no youtube procurar em avô cantigas, ou galinha pintadinha… encontra N delas muito animadas e ritmadas). Não sei como é que é o Gui, mas o meu Vasco, chegou a partir-me um monitor quando o deixeí sozinho por 1 segundo… é preciso estar sempre de olho). Outra coisa que costumam gostar é chafurdices dentro de água… Quando for a hora do banho, faço-o mais demoradamente; Encha a banheira e leve bonecada lá para dentro. Além de os divertir e servir de banho, a àgua relaxa-os e “cansa-os”. Depois há brinquedos que quase todos gostam – os que têm luzes e movimentos: tipo carros telecomandados, (claro que tem que ser o pai a comandar o carro); brinquedos das lojas do chinês como bolas saltitantes com luzes dentro; peões tipo bayblade, etç.
Já sabemos que eles saltam de uma brincadeira para outra muito rapidamente, por isso mesmo, e porque o meu filho era muito bom a partir brinquedos, comeceí a ser adepta das lojas dos chineses. Olhe pai, desejo-lhe um bom fim de semana e as melhoras das costelas!
12 Dezembro 2011 ás 12:03
O Gui não vai muito à bola com os computadores ou qualquer coisa que requeira interactividade. Ele é mais sofá e tv. Como o tempo esteve bom, especialmente no Domingo, pudemos andar na vadia a dar comida aos patos na Gulbenkian (enquanto ele se dependurava perigosamente sobre os carreiros de água) e nos parques infantis, modalidade baloiço, da qual ele é fã.
Segui a sua recomendação do banho enquanto a botija de gás não começou a dar de si. Depois tive de apressar a coisa.
Beijinhos, obrigado.
10 Dezembro 2011 ás 16:38
Assino por baixo as sugestões da Atena, que são espetaculares, e deixo mais duas, se não tiver piedade dos seus colchões: deixá-lo pular em cima da cama à vontade, até se cansar; pintar com dedos, mãos, pincel em papel de cenário (pode arranjar em escolas ou unir várias folhas A3) até se fartar. As minhas acalmam muito com a pintura e agora com a plasticina (que se pode substituir por pasta de farinha, se houver tendência a comer…). Por aqui também não tem sido fácil. Parece que estão a “desevoluir” e nunca vi tanto handflapping como nestes últimos tempos, é desesperante. Se se juntar a isto, um trabalho cheio de colegas merdosos sem nada no cérebro e um desânimo enorme, tá-se bem. Enfim, vida do caraças. E isto dói mais e custa mais quando elas andam assim agitadas, turbulentas, embirrentas, cheias de comportamentos e maneirismos. Pergunto-me o que está a falhar e onde. Arre.
Rápida recuperação das costelas e desculpe o amargo desabafo.
Beijos grandes
11 Dezembro 2011 ás 19:43
Já não vou a tempo das sugestões…mas aproveitando o Natal e o interesse pela comida….fazer umas filhozes pode ser espectacular…e se comer uma parte da massa também não faz mal nenhum. Já a fritura recomendo quando ele tiver a dormir
Mas aposto que adoraria no dia seguinte ao acordar…
Se quiser uma receita fácil diga (a não ser que odeie a cozinha).
~CC~
12 Dezembro 2011 ás 12:09
A minha mãe é “a” especialista das filhozes. Mas o Gui está a fazer aquela dieta chata que não permite esse tipo de liberdades gastronómicas. Eu ando cheio de apetite, como ele, pelo que passámos o fds a comer que nem monges esfomeados. Consigo antecipar o Natal: vai ser enfardar até cair (se ainda houver comida quando lá chegarmos). Beijinhos.
12 Dezembro 2011 ás 12:06
Ele é mais meter-se debaixo dos cobertores e andar lá até que a gente se pergunte “mas onde está o rapaz”? e descobrimi-lo a sujar a cama toda porque não se descalçou (às vezes fá-lo, não é sempre, sejamos justos). Isto não anda fácil para ninguém M., espero que encontre coisas boas na sua vida onde possa descansar da frustração diária, compreendo-a perfeitamente. Às vezes a gente não falha, as coisas simplesmente não correm de acordo com o que desejámos/previmos. Obrigado por tudo. Beijinhos!
14 Dezembro 2011 ás 21:16
Não tem que agradecer. Temos de ser uns para os outros (as clichê as it may sound
)
Acho que ando em piloto automático mas com as pilhas a começar a falhar. Mas pronto. Amanhã temos reunião com a equipa do ensino especial (e PIIP/ANIP ) e confesso que estou um pouquinho apreensiva. Pronto, muito apreensiva. Vá, ok, com medo mesmo.
Tem aqui ideias fantásticas de atividades. Acho que vou “roubar-lhe” algumas e fazer com as piolhas. Ficam de fora:
-plasticina e pastas de farinha (não resulta. Desisto disto, talvez para o próximo ano)
- filhós e afins (muitos fritos… Uma das piolhas teve uma crise de vesícula recentemente e tenho medo que se repita…). Substitui-se por torradas e tostas e biscoitos
- balões (têm pavor ao estoiro)
Um beijinho enorme de nós 3 para si e para o seu Gui.
13 Dezembro 2011 ás 17:32
Peço desculpa mas ri a bom rir com a visão desse fim de semana versão Pai+Gui. O Goucha em tronco nu é mesmo insidioso…
)).
Ainda bem que o tempo ajudou e a Gulbenkian pôde ser uma opção.
Eu sugeria duas actividades:
bolas de sabão até faltar o folgo e o chão ser uma sabonária, legos ou bolas (molinhas) que saltam pelo ar até entrarem na caixa que lhes compete. Os balões, às vezes, também são apreciados
Beijos
14 Dezembro 2011 ás 15:14
Pai, veja esta reportagem! Experimente comprar um tablet para o Gui! Pode ser que ele o surpreenda
Beijinhos
http://www.cbsnews.com/video/watch/?id=7385686n