Nota de rodapé

(porque normalmente escrevo em demasia, isto – infra – até vai parecer um pequeno apontamento)

Estou em trabalho, fora de casa, a dormitar tanto quanto consigo num quarto de hotel que, não sendo mau, é tão pessoal como uma estação de comboios e enquanto deixo que a atenção gravite blogosfera fora, à procura de um foco definitivo de interesse ou de uma dose combinada de tédio e sono que cumpra o efeito paliativo de diluir as olheiras do tft e do cansaço, olho para as gotas que deslizam na janela e penso nos pais das crianças autistas e nas próprias crianças, como se fossem(os), permita-se-me o paralelismo da imagem, esta chuva que teima em deslizar ruidosamente pela janela, este microcosmos de barulho e energia, confinado à estranheza própria das minorias, enquanto toda a água restante que cai fora desta janela, não sendo perfeita ou isenta de problemas, não sabe, de facto, o que é ver o mundo deste ângulo e estar confinado, ainda que gozando do melhor dos prognósticos, à janela do autismo.