A mãe do Gui levou-o hoje à primeira sessão “a sério” de psicomotricidade (qualquer coisa entre estimulação sensorial e doutrinamento corporal). Na primeira sessão, o Gui mostrou-se afoito e com vontade de explorar tanto o espaço como a desconhecida que lhe “tomava o pulso”. Ambos – terapeuta e criança – mostraram-se muito à-vontade para dois estranhos recém apresentados. A coisa prometia.
Hoje soube que o Gui, decorridos míseros quinze minutos da sessão, desatou num pranto. Descontrolou-se. Ao que parece, a terapeuta assumiu que à naturalidade mostrada no primeiro encontro correspondia dose idêntica de 1. capacidade de perceber o que ela queria que ele fizesse e 2. vontade de fazê-lo. Lição importante para quem trabalha com crianças como o Guilherme: as mudanças de ritmo e as gradações na dosagem de exigência têm de ser medidas milimetricamente. Se nas crianças normais já é necessário uma dose de bom-senso generosa para se saber medir progressos e insistências contraproducentes, nas crianças como o Guilherme é necessário o instinto de apostador de bolsa. E é sempre esse o dilema: ou ficamos no ritmo dele e ambos sorrimos sem saber exactamente porquê, ou exigimos em demasia e ambos lamentamos o facto.

9 Novembro 2007 ás 14:41
Isso de que fala tem tudo de verdade e de suprema importância. Medir-lhes os ritmos não é tarefa fácil, muito menos para quem ainda não os conhece. Não tendo directamente a ver, dou-lhe o exemplo do meu menino. Quando está mal disposto, o que se nota à légua, pois não quer conversa, é preciso dar-lhe tempo. Há quem insista em arreliá-lo nessa altura. Obviamente não resulta e ainda o irrita mais. Aprendi com ele que, tal como um adulto, tempo e espaço na hora certa, e um grau de exigência comedida, fazem toda a diferença. Pode demorar, mas depois é ele quem nos procura. No caso do seu Gui, havendo cooperaçãoda parte dele, é preciso deixá-lo chegar lá com pequeninas doses de insistência. Mesmo que às vezes as doses sejam quase invisíveis.
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12 Novembro 2007 ás 00:34
Já tinha dado conta do seu blog. Parabéns. É positivo encontrar uma forma de expor as suas dúvidas e agruras e ajudar os outros no processo. Fiquei especialmente contente com a forma como diz ter decorrido a avaliação e sinto que o futuro lhe reserva muitas (e boas) surpresas. Obrigado por deixar a sua marca e por partilhar o seu mundo.